O ciclo de jogos das nossas vidas começa Sábado e não tem data final definida. É a segunda de um número indeterminado de finais e, por agora, a mais importante.
Não sou capaz de recordar-me de verdadeiras enchentes, daquelas em que alguém é forçado a sentar-se nos bancos de madeira, que vão para além das que assistimos no Playoff da Liga Masculina da época 2004/2005, frente ao Queluz, e da seguinte, frente à Ovarense. É provável que a nossa casa tenha enchido noutras ocasiões, num ou noutro jogo com especial interesse. Não foram, como estes, históricos. Não pelos resultados, porque esses até foram antagónicos, mas pela intensidade com que foram vividos e por ainda hoje perdurarem lembranças do que aconteceu na memória daqueles que lá estiveram.
Para além desses jogos, lembro-me deste:
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O quarto título feminino do Clube Amigos do Basquete foi conquistado num jogo que até teve prolongamento e um pavilhão ao rubro
A explosão de alegria de todo o pavilhão do CAB, logo após o apito final de Armando Ruivo, deve ter sido o melhor prémio para João Pedro Vieira e as suas jogadoras. A equipa feminina do Clube Amigos do Basquete sagrou-se campeã da Liga, num jogo que teve a emoção dos "velhos tempos" e contou com um público que andava "escondido" do basquetebol madeirense. Há muito que o pavilhão da Nazaré não recebia tanta gente e as duas equipas acabaram por corresponder. A vitória da turma da casa seria a recompensa para o apoio. E se ganhar em "ano ímpar" é tradição das "Amigas", sofrer até final também é. E foi isso mesmo que aconteceu ontem. (…)»
Jorge Freitas Sousa, 12-05-2003, Diário de Notícias
O relato que aqui vos deixo, da autoria de um dos irmãos do actual treinador-adjunto da equipa sénior feminina, fala por si. É verdade que voltámos a ser campeões na temporada 2004-2005, coroando uma Fase Regular sem derrotas, e na seguinte também. Contudo, nessas duas conquistas o último jogo disputou-se fora. Também não me esqueci que, entretanto, disputámos uma Supertaça na Madeira, no Caniçal. Não sei se pela distância, se pela altura em que foi disputada, mas a verdade é que não tivemos nesse jogo o entusiasmo que se esperava. Estivemos lá e vencemos - mas Sábado precisamos de mais, de muito mais....
No jogo referido no excerto estava lá, como acontecia sempre, por incentivo do então meu treinador, o Carlos Sousa, o mesmo que hoje está ligado à equipa sénior feminina. Sobre o jogo, fica a nota principal: foi nesse jogo que "nasceu" a ideia de formar uma claque, que apareceria na época seguinte e que, oficialmente, seria fundada na época em que voltámos a tornar-nos campeões nacionais. Foi nesse jogo que surgiu o entusiasmo de uma geração. Foi nesse jogo que surgiu a mística. Única. Foi nesse jogo que tudo o que estava à mão serviu para apoiar. Foi nesse jogo que estivemos lá todos, a sofrer e a torcer pelos nossos - e nos que lá estavam incluo, por exemplo, a dona Gorete, que com instrumentos improvisados vibrou com todos nós. Foi nesse jogo que aprendi o que significa ser campeão nacional. Foi nesse jogo que aprendi a sonhar mais alto e com mais conquistas. Foi nesse jogo que toda uma equipa aprendeu que era possível - e 3 anos depois venceu a Taça Nacional de Juniores "B", 6 anos depois da única até então conquistada pelo clube no escalão. Foi nesse jogo que muitos como eu, praticamente acabados de chegar ao CAB, aprenderam o que é ser Amigo, o que é ser do CAB. Foram conquistas como essa, entre outros motivos, que me fazem dizer orgulhosamente entre amigos e discussões: "sou o sócio nº 436 do CAB Madeira!". Foram, são e continuarão a ser momentos como este que nos fazem avançar e subir a fasquia. Foram, são e continuarão a ser momentos como este que fazem o nosso clube ser diferente, para melhor. São alturas como esta que criam identidade, união, espírito, valores. É com isto que se atraem os mais novos, formando futuros atletas das equipas seniores, futuros funcionários do clube, futuros treinadores do clube e, finalmente, futuros jovens com responsabilidades profissionais diversas.
Por tudo isto, hoje todos temos a responsabilidade de criar as condições necessárias para que esta equipa vença - e com isso ganharão todos aqueles que estão ligados ao CAB e as gerações que se seguirem. Tornar o nosso clube melhor, enriquecer a sua História e o seu Palmarés, depende de nós, da nossa actuação, do presente. Para que, mais tarde, quem vier continue a dizer com o mesmo orgulho que é sócio do CAB.
Fica, por isso, o meu apelo: por si, pela equipa, pelo CAB, apareça! Este é o início de algo que poderá ser muito grande, assim saibamos compensar as nossas fraquezas com a força que nos une e com o apoio de todos quantos forem suficientemente corajosos para esta luta - e eu acredito que serão muitos. Esta Liga, à semelhança das 5 que já conquistámos, poderá ser especial. Será mais ainda se contribuirmos todos. E da nossa parte, enquanto adeptos, fornecer as "condições necessárias" para que isso aconteça é, no final de contas, simples: basta tornar o ambiente "infernal", através do apoio constante à nossa equipa.
A mim, neste jogo e nos que espero que se sigam, só me interessa ganhar - respeitando, sempre, os princípios pelos quais se pauta, e bem, o nosso clube. Por isso, tudo farei para que as vitórias aconteçam, dentro do que me é possível - e por agora é isto: apelar à presença de todos.
Eu, como sempre, acredito. Acredito muito!
A "elas"! Ganhar, ganhar, ganhar!
Um abraço Amigo,
João Pedro Vieira (o que estava na bancada em 2003 ;-) )