Segunda-feira, Abril 25, 2011

A última mensagem


A minha mensagem final, na continuidade daquelas que aqui fui deixando ao longo das últimas semanas, é esta: parabéns equipa sénior feminina!

Perdemos uma final. Mas - porque há sempre um mas - conquistámos um projecto, que tem pés e cabeça, que tem um passado, um presente e um futuro, um projecto de curto, médio e longo prazo. E isso... Isso são poucos os que o têm.

Perdemos uma final, mas conquistámos uma equipa, que subiu o nível, que subiu a parada, que aumentou as expectativas, que surpreendeu até os habitualmente mais confiantes.

Por agora é isto que vos deixo: uma mensagem final, de parabéns.

Para mais tarde fica o prometido, desde o primeiro dia, balanço da época, que ainda não terminou - e ainda bem!

A todos, um abraço Amigo,

João Pedro Vieira (o mais novo ;-) )

Quinta-feira, Abril 14, 2011

Corrigir a História

A mensagem que o Presidente do CAB, Francisco Gomes, partilhou no site do clube após o apuramento para a final da Liga Feminina terminava assim: «A História espera-nos!».

Eis o que diz a História:

Equipa Sénior Feminina
1986/87 - 1ª. participação nas Competições Nacionais (II Divisão)
1987/88 - Campeão Nacional da II Divisão / Subida à I Divisão
1989/90 - 1ª. participação nas Competições Europeias
1995/96 - Vencedor da Taça de Portugal; Vencedor da Supertaça
1996/97 - Campeão Nacional da I Divisão; Vencedor da Taça Federação; Vencedor da Supertaça
1998/99 - Vencedor da I Liga Feminina; Vencedor da Taça de Portugal
1999/00 - Vencedor da Taça de Portugal; Vencedor da Supertaça (98/99)
2000/01 - Vencedor da III Liga Feminina
2002/03 - Vencedor da V Liga Feminina
2003/04 - Vencedor da Supertaça (02/03)
2004/05 - Vencedor da VII Liga Feminina
2005/06 - Vencedor da VIII Liga Feminina; Vencedor da Taça de Portugal
2006/07 - Vencedor da Supertaça (06/07); Vencedor da Taça de Portugal
2007/08 - Vencedor da Supertaça (07/08); Vencedor da I Taça da Liga (Taça Vítor Hugo)
2008/09 - Vencedor da II Taça da Liga (Taça Vítor Hugo)
2009/10 - Vencedor da I Taça Federação - Liga Feminina

Entre várias curiosidades, como a de termos conquistado a I Liga, a I Taça da Liga e a I "Taça Federação - Liga Feminina", a que mais me atrai é esta: a nossa equipa leva um ciclo de 8 temporadas a vencer pelo menos um troféu e nos últimos 15 anos só não o fez em duas ocasiões. Esta equipa habituou-nos a ganhar - e eu espero que continue a fazê-lo.

A História diz-nos que estamos há 5 temporadas sem vencer a Liga e que na última vez que marcámos presença na final perdemos. Aconteceu em 2006/2007, frente ao ESSA, equipa que terminou a Fase Regular da competição no primeiro lugar. Nesse ano fizemos o mais difícil: vencemos o primeiro jogo fora, virando o "factor casa" a nosso favor. Depois falhámos e saímos derrotados do 2º e 3º jogos, o último deles em casa. No 4º jogo evitámos o mal maior e forçámos a negra, que viríamos a perder.

Se dúvidas existem sobre a vantagem real/prática do "factor casa", a História trata de dissipá-las: desde - pelo menos - 2003/2004, tornou-se campeã a equipa que venceu a Fase Regular da Liga Feminina e que, por esse motivo, beneficiou do "factor casa" na final.

Da História da equipa à qual pertenci, partilho a história: numa meia-final disseram-nos que estavam "enganados" todos quantos julgavam que a Taça Nacional eram dois jogos, disputados em dias consecutivos. Para nós era ali, era "agora ou nunca", era aquela meia-final. No ano anterior tinha terminado exactamente ali - a História tinha-nos ensinado o caminho mais difícil.

Resumindo a História e as histórias, fica o essencial: acredito que hoje estão "enganados" todos quantos julgam que a final serão 5 jogos. A final, para já, serão 2: os que se jogam Sábado e Domingo. Esses são, agora sim, os jogos das nossas vidas. Se ganharmos os jogos em casa a que temos direito, 3 se necessário, seremos campeões. Não temos, por isso, outra obrigação que não essa: a de ganharmos em casa, sob a promessa de, mais cedo ou mais tarde, podermos festejar a conquista do campeonato. E isso depende de quem joga, de quem orienta e também de quem apoia, de quem puxa, de quem vibra por fora. Em nossa casa, como deve acontecer sobretudo nos momentos decisivos, mandamos nós. Já o mostrámos no passado e voltar a fazê-lo depende do empenho de todos. No jogo frente ao Algés estivemos lá, é verdade. Muitos. Mas não estivemos todos. Nem com a disposição necessária. Saberão certamente todos, os que estiveram e os que não estiveram, daquilo que vos falo. Quando foi preciso, fizemos a diferença - pois que a façamos novamente. O factor casa, sem aspas, é isso mesmo: é o grito de incentivo, a força que empurra, a energia que se gera. O factor casa sou eu, tu, nós, todos. O factor casa é a Raça Vermelha - no que objectivamente representa, a nossa claque -, são os dirigentes, os pais, os amigos, os sócios, os adeptos e os simpatizantes. O "factor casa" conquista-se (e que difícil foi conquistá-lo), o factor casa cria-se!

A História fez-nos regressar. É tempo de nos fazermos grandes, ambiciosos, determinados, destemidos, corajosos. É tempo de olharmos para a História com a grandeza que nos define. É tempo de olharmos para a História e recordar que está a nosso favor. É tempo de honrar a nossa História, é tempo de voltar a fazer História.

A minha mensagem termina como começa: é tempo de corrigir a História - porque o campeão do basquetebol feminino, por tudo quanto ofereceu à modalidade, pelo passado único que possui, pelo feitos alcançados e pelos títulos conquistados, vive na Madeira. Por tudo isso, esta época é tempo de voltarmos a sê-lo oficialmente, "no papel", para que, de uma vez por todas, se dissipem todas as dúvidas.

É tempo e é hora de mostrarmos que na Madeira, no Pavilhão do CAB, mora o Verdadeiro Campeão de Portugal! Está é a nossa hora, porque é esta a nossa História.

Um abraço Amigo,

João Pedro Vieira (o do costume ;-) )

video

p.s.: «O que é, afinal, ser Amigo»? "Ser Amigo" é isto: é chegar a sexta-feira, início de férias da Páscoa para a maioria dos estudantes universitários - e, por isso, data de regresso da maioria - e ter o telemóvel entupido de mensagens, todas elas referindo-se ao mesmo: «A que horas é hoje no Pavilhão do CAB?». Meus Amigos, isto... Isto só sabe e só sente quem, como nós, passou por esta casa. Desta vez por força de uma feliz coincidência, estaremos lá todos, como sempre estivemos - hoje, amanhã e depois. Darão por nós. "Ser Amigo", como nós somos e como outros foram antes de nós, não é só uma escolha: foi um direito que se tornou dever. Quem é Amigo um dia, é Amigo para sempre - e para sê-lo não são precisas quotas, basta senti-lo.


Quinta-feira, Abril 07, 2011

O meu apelo

O ciclo de jogos das nossas vidas começa Sábado e não tem data final definida. É a segunda de um número indeterminado de finais e, por agora, a mais importante.

Não sou capaz de recordar-me de verdadeiras enchentes, daquelas em que alguém é forçado a sentar-se nos bancos de madeira, que vão para além das que assistimos no Playoff da Liga Masculina da época 2004/2005, frente ao Queluz, e da seguinte, frente à Ovarense. É provável que a nossa casa tenha enchido noutras ocasiões, num ou noutro jogo com especial interesse. Não foram, como estes, históricos. Não pelos resultados, porque esses até foram antagónicos, mas pela intensidade com que foram vividos e por ainda hoje perdurarem lembranças do que aconteceu na memória daqueles que lá estiveram.

Para além desses jogos, lembro-me deste:

«O quarto título feminino do Clube Amigos do Basquete foi conquistado num jogo que até teve prolongamento e um pavilhão ao rubro

A explosão de alegria de todo o pavilhão do CAB, logo após o apito final de Armando Ruivo, deve ter sido o melhor prémio para João Pedro Vieira e as suas jogadoras. A equipa feminina do Clube Amigos do Basquete sagrou-se campeã da Liga, num jogo que teve a emoção dos "velhos tempos" e contou com um público que andava "escondido" do basquetebol madeirense. Há muito que o pavilhão da Nazaré não recebia tanta gente e as duas equipas acabaram por corresponder. A vitória da turma da casa seria a recompensa para o apoio. E se ganhar em "ano ímpar" é tradição das "Amigas", sofrer até final também é. E foi isso mesmo que aconteceu ontem.  (…)»

Jorge Freitas Sousa, 12-05-2003, Diário de Notícias

O relato que aqui vos deixo, da autoria de um dos irmãos do actual treinador-adjunto da equipa sénior feminina, fala por si. É verdade que voltámos a ser campeões na temporada 2004-2005, coroando uma Fase Regular sem derrotas, e na seguinte também. Contudo, nessas duas conquistas o último jogo disputou-se fora. Também não me esqueci que, entretanto, disputámos uma Supertaça na Madeira, no Caniçal. Não sei se pela distância, se pela altura em que foi disputada, mas a verdade é que não tivemos nesse jogo o entusiasmo que se esperava. Estivemos lá e vencemos - mas Sábado precisamos de mais, de muito mais....

No jogo referido no excerto estava lá, como acontecia sempre, por incentivo do então meu treinador, o Carlos Sousa, o mesmo que hoje está ligado à equipa sénior feminina. Sobre o jogo, fica a nota principal: foi nesse jogo que "nasceu" a ideia de formar uma claque, que apareceria na época seguinte e que, oficialmente, seria fundada na época em que voltámos a tornar-nos campeões nacionais. Foi nesse jogo que surgiu o entusiasmo de uma geração. Foi nesse jogo que surgiu a mística. Única. Foi nesse jogo que tudo o que estava à mão serviu para apoiar. Foi nesse jogo que estivemos lá todos, a sofrer e a torcer pelos nossos - e nos que lá estavam incluo, por exemplo, a dona Gorete, que com instrumentos improvisados vibrou com todos nós. Foi nesse jogo que aprendi o que significa ser campeão nacional. Foi nesse jogo que aprendi a sonhar mais alto e com mais conquistas. Foi nesse jogo que toda uma equipa aprendeu que era possível - e 3 anos depois venceu a Taça Nacional de Juniores "B", 6 anos depois da única até então conquistada pelo clube no escalão. Foi nesse jogo que muitos como eu, praticamente acabados de chegar ao CAB, aprenderam o que é ser Amigo, o que é ser do CAB. Foram conquistas como essa, entre outros motivos, que me fazem dizer orgulhosamente entre amigos e discussões:  "sou o sócio nº 436 do CAB Madeira!". Foram, são e continuarão a ser momentos como este que nos fazem avançar e subir a fasquia. Foram, são e continuarão a ser momentos como este que fazem o nosso clube ser diferente, para melhor. São alturas como esta que criam identidade, união, espírito, valores. É com isto que se atraem os mais novos, formando futuros atletas das equipas seniores, futuros funcionários do clube, futuros treinadores do clube e, finalmente, futuros jovens com responsabilidades profissionais diversas. 

Por tudo isto, hoje todos temos a responsabilidade de criar as condições necessárias para que esta equipa vença - e com isso ganharão todos aqueles que estão ligados ao CAB e as gerações que se seguirem. Tornar o nosso clube melhor, enriquecer a sua História e o seu Palmarés, depende de nós, da nossa actuação, do presente. Para que, mais tarde, quem vier continue a dizer com o mesmo orgulho que é sócio do CAB.

Fica, por isso, o meu apelo: por si, pela equipa, pelo CAB, apareça! Este é o início de algo que poderá ser muito grande, assim saibamos compensar as nossas fraquezas com a força que nos une e com o apoio de todos quantos forem suficientemente corajosos para esta luta - e eu acredito que serão muitos. Esta Liga, à semelhança das 5 que já conquistámos, poderá ser especial. Será mais ainda se contribuirmos todos. E da nossa parte, enquanto adeptos, fornecer as "condições necessárias" para que isso aconteça é, no final de contas, simples: basta tornar o ambiente "infernal", através do apoio constante à nossa equipa.

A mim, neste jogo e nos que espero que se sigam, só me interessa ganhar - respeitando, sempre, os princípios pelos quais se pauta, e bem, o nosso clube. Por isso, tudo farei para que as vitórias aconteçam, dentro do que me é possível - e por agora é isto: apelar à presença de todos.

Eu, como sempre, acredito. Acredito muito!

A "elas"! Ganhar, ganhar, ganhar!

Um abraço Amigo,

João Pedro Vieira (o que estava na bancada em 2003 ;-) )